Exposição “Transcriptions d´Architecture”

Está em cartaz no Solar do Jambeiro (Niterói – RJ) até 02/09/07 a exposição “Transcriptions d´Architecture – Architecture er patrimoine, quels enjeux pour demain”, trazida e doada ao Instituto dos Arquitetos IAB/ RJ pelo Consulado Geral da França.

Trata-se de uma abordagem sobre o planejamento das cidades históricas pelo mundo, os desafios, alternativas e limitações enfrentadas para se manter a vitalidade de edificações históricas, pertencentes ao patrimônio.

O estudo é apresentado através de uma análise de intervenções realizadas por arquitetos franceses em edificações urbanas e rurais.
Ainda não fui, mas irei conferir e complementarei o artigo.
O tema desta exposição nos leva a refletir sobre a postura que nosso país tem em relação ao nosso patrimônio histórico e cultural… E aqui, bem ao lado de nossas casas em Niterói, mas precisamente em Icaraí, mas um caso preocupante acontece, a situação do Cinema Icaraí, tombado pelo Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio no dia quatro de junho de 2001, através da lei nº 1838. Vejo tapumes no local e não sei (mas imagino) que destino o espera.

Leia mais sobre o Cinema Icaraí e o processo de tombamento.

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12 thoughts on “Exposição “Transcriptions d´Architecture”

  1. Eu gostava à vera do cinema por dentro. Achava muito confortável.
    Mas acho a fachada dele feia toda vida.
    Sobre tombar um patrimônio, não tenho opinião formada.
    Tombam o cinema, daí o proprietário não pode mexer e modernizar o negócio. Consequentemente, não fica competitivo e dá prejuízo. E como manter o espaço?
    Existe algum fundo público para manter o patrimônio?
    O proprietário deve ser ressarcido pelo que ele poderia ganhar caso modernizasse a casa?
    Se existe algum fundo público, não faria sentido manter não somente a fachada, mas também o patrimônio em pleno funcionamento?
    ****
    Com tantas perguntas, nota-se que não tenho mesmo opinião formada.

  2. Victor,

    O tombamento de um edifício não pode levar em conta o gosto pessoal, concordo com você e não acho que o cinema seja a maior representação Art Deco que conheço. A análise da edificação vai muito além da estética da fachada, fatores históricos e de relação com a sociedade tem que ser levados em conta.
    Pelo que sei, o tombamento deste imóvel diz respeito à fachada e não ao uso. Acho que a importância da fachada e o peso histórico de ser uma edificação tombada pode ser usada pelo proprietário para promover e valorizar o imóvel em questão
    *****

  3. Olá Victor, acho que posso responder algumas perguntas. Sou estudante de arquitetura e membro do grupo Niterói Cidadania, que têm atuado bastante com relação ao Cine Icaraí.

    O Cinema foi tombado em 2001, após longos estudos que começaram em 1997. O uso como cinema e a arquitetura como um todo foram tombados. A Praça Getulio Vargas é definida como área de entorno ao bem tombado.

    (Um detalhe importante é que edifícios tombados que se mantém preservados têm desconto no IPTU.)

    Os proprietários evidentemente são informados e têm direito de resposta dentro de um certo prazo. O tombamento não impede que obras de modernização sejam feitas, tanto que o projeto de modernização (transformando em 4 salas) aprovado junto aos orgãos competentes já estava em fase de estudo de viabilidade!!!

    Até que veio a lei do Wolney Trindade que “destomba” o prédio, deixando somente à fachada e permitindo construir um prédio atrás. Vale lembrar que WT não é arquiteto nem nada do ramo. (Imagina o preço de um dos últimos terrenos da praia…)

    À partir daí é só confusão, coleta de assinaturas, ameaças, etc.

    No momento existe um pedido de tombamento estadual iniciado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil e que aguarda aprovação do governador. Se aprovado, o Cinema poderá ser reativado. E aí sim, quando ele voltar a funcionar e permanecer PRESERVADO, poderemos cantar a vitória!

    Tem uma comunidade no Orkut “Vamos salvar o Cine Icaraí” que conta toda a história! Participe !!!

  4. De qualquer forma, qualquer coisa que impeça a construção de espigões, puleiros e outras coisas mais na saturada Icaraí ou no Centro da Cidade já é bem-vindo.

    Que tombem até poste de iluminação.

    Serve pelo menos para impedir a construção imediata deedificações que não tem o menor respeito pelo impacto de vizinhança e ambiental.

  5. Acho a construção de salas uma excelente idéia, apesar de concordar com o Vítor, quando menciona o interior do cinema…
    seria fantástico ter um cinema classudo, como o cine icaraí, em funcionamento… mas a modernidade chega e é preciso pensar no faturamento…
    contanto que não vire uma igreja universal ou um prédio de 50 andares eu já fico mais satisfeita, sem contar que 4 salas de cinema em Icaraí viriam bem, visto que perdemos todas as salas da região…

    Mas acho que depois de toda essa polêmica, devia haver dentro do cinema um mini museu histórico para que todos tenham acesso a história do cine icaraí, e a sua relação com o bairro e com a cidade de Niterói.

  6. Falta em Niterói uma galeria cultural de cinema, coisa que o Estação Icaraí (antigo Cinema 1) tenta ser mas não consegue em sua totalidade.
    No Rio, temos excelentes espaços deste tipo, como o Unibanco e alguns da própria rede Estação.
    Uma referência que tenho como exemplo de sucesso é o Espaço Unibanco de Cinema em Botafogo, que mistura um ambiente de café literário com cinema, onde passam filmes europeus, asiáticos, independentes e até do circuitão mesmo, sempre com centenas de freqüentadores. É o tipo da oferta cultural que falta em Niterói (ficamos à mercê do bem intencionado mas precário Cine UFF e do já citado Estação Icaraí) e que pessoas como o Gabão freqüentariam.
    Seria bacana um espaço assim, que misturasse cinema, ponto de encontro e bate papo, literatura e fotografia.

  7. É uma ótima sugestão para o Cinema Icaraí.
    É possível que alguma empresa possa até comprar a idéia.
    Se apenas com bilheteria não há como competir com os Multiplex, pode ser vendido o espaço para o nome. Afinal, é uma ótima publicidade, por exemplo, para o Unibanco ter seu nome vinculado ao incentivo à Cultura.

  8. Fora que esse papo de frequentar café literário é maneiro.
    Uma vez levei uma princesa pra tomar um café e comer um brownie, só pra fazer uma presença.
    Acabei comprando dois livros e casando com a moça :)

  9. Já eu, levei a minha princesa alforriada a um Coverdose e apenas cinco anos depois montei um blog de arquitetura para ela.

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